O nome Parangotela veio claro dos parangolés do anarquista Oiticica, onde o movimento era essencial para que a obra existisse. Movimento é liberdade, oposto da inércia e passividade, e a graça é que qualquer roupa, vestimenta, cobertura, é uma tela em si, sempre. Então, em 2012 fizemos uma roupa tela, gigante e branca, fantasmagórica!!! Quando vestida recebe projeções de filmes livres e chamadas para que o povo local saiba e vá nas sessões da MFL, mostra livre não só de formatos e gêneros, mas também de projeções em telas humanas pelas ruas dos centros do Rio e de São Paulo, em movimentos vivos que celebram a vida, o cinema e a liberdade de fazer e mostrar filmes! E calhou do Cine Fantasma ter tudo a ver com esta roupa tela móvel... daí que nas ações Cine Fantasma de Copacabana e da Cinelândia, lá esteve ela, vestida pelo gigante Luiz, a nossa feliz parangotela.
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
Debate Fantasma
Debate Cine Fantasma na Mostra do Filme Livre 2013 - dia 12 de março de 2013 no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro - Mesa com João Luiz Vieira, Tadeu Capistrano e Pablo de Soto. Mediação de Paola Barreto. Infelizmente o início do áudio está cortado, mas ainda assim temos mais de uma hora de conversa sobre a situação das salas de cinema no Brasil e no mundo hoje.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Cinema de rua, eu te amo!
A queda e a retomada dos cinemas de rua
27/03/2013
Os cinemas de rua, exatamente por sua localização privilegiada, coração dos bairros e seus cotidianos, são parte muito significativa da construção da identidade cultural de uma cidade e seu povo, sobretudo no Rio. Como bem disse Fernanda Torres ao #RioEuTeAmo, a sala de visitas do carioca é a rua: adoramos programas ao ar livre, aplaudimos o pôr do sol, caminhamos pelas esquinas do bairro que vivemos e amamos. Adoramos pé sujos com mesinhas na calçada. Adoramos ver gente.
Infelizmente, com o passar dos anos, os cariocas têm visto e vivido uma triste realidade: a crescente extinção dos nossos queridos cinemas de bairro. Podia-se ir a pé, sentar em poltronas vermelhas e comer pipoca do pipoqueiro da calçada. Esses cinemas, décadas atrás presentes em imponentes contruções e com salas que ultrapassavam mais de mil lugares, têm dado lugar a estabelecimentos que se desligam totalmente do seu passado cultural, como farmácias, estacionamentos, bingos, lojas e restaurantes. O Cine Copacabana, por exemplo, hoje em dia é uma academia de ginástica. O Cine Campo Grande virou um restaurante popular. O Cine Palácio, cuja arquitetura já se imagina pelo nome, encontra-se fechado sob especulação de virar um centro de convenções, o mesmo destino, aliás, do Cine Veneza, em Botafogo. Sem falar dos outros vários que estão às moscas, desativados e abandonados, em muitos cantos da cidade. A própria Cinelândia, área do centro da cidade que recebeu esse nome justamente pelo grande número de cinemas que reunia, hoje sobrevive apenas com o Odeon, e outras duas salas que exibem programação pornográfica.
E mergulhando nesse ideal nostálgico e saudosista, que povoa a lembrança de muitos cariocas, acontece o projeto Cine Fantasma, sob as rédeas de entusiastas e estudiosos da sétima arte. Resignificando o espaço público e resgatando sua paixão por esses lugares, a trupe organiza andanças em seu carango – carro equipado com um projetor abastecido de imagens igualmente nostálgicas – “assombrando” a cidade com projeções em fachadas de prédios onde originalmente funcionavam cinemas. Paola Barreto, idealizadora do projeto, falou com o #RioEuTeAmo e foi categórica ao destacar a importância desses espaços, principalmente para a vida de uma cidade tão aquecida culturalmente como o Rio de Janeiro. “Entendemos que hoje são novas arquiteturas, novas formas de compartilhamento de imagens. Os cinemas não ocupam mais o posto único de templos onde se pode entrar em contato com o universo dos filmes. Em um primeiro momento a televisão, depois o video cassete e o DVD, e atualmente a internet, multiplicam as possibilidades de acesso aos filmes, mas no cinema é diferente. Há uma dimensão a mais”, explica Paola. Em um acalorado debate sobre o tema, que aconteceu no CCBB há algumas semanas atrás, Olga Pereira Costa, uma economista por formação e roteirista por paixão, decretou que as poltronas vermelhas dos cinemas de rua a transportavam a algo que remetia o útero materno, ao seu aconchego e plenitude. E sobre essa atmosfera superior, Paola nos confirma, categórica: “os cinemas se configuram como espaços de sonho, além de serem espaços de construção do inconsciente coletivo”.
“O fato é que a expansão de interesses econômicos muitas vezes atropelam memória, afetividade e patrimônio histórico”, reflete a cineasta. Segundo ela, o Metro Boavista, na Rua do Passeio, que já foi a melhor sala da cidade, com uma tela panorâmica e sistema de som impecável para a época, está as traças, por exemplo. E a enumeração não para por aí: incontáveis bairros ficaram órfãos desses maravilhosos espaços. Decepção pura. Mas fiquemos calmos, pois nem tudo está perdido: ano passado foram anunciadas reformas em muitos cinemas da cidade, como o Cine Alfa, em Madureira, o Cine Guaraci, em Rocha Miranda, o Cine Paissandu, no Flamengo, e o Cine Olaria. Na mesma lista também está Cine Bruni, no Méier, para fazer companhia ao brilhante Imperator, que deu sorte e além de ser revitalizado como cinema, ganhou um centro cultural, com teatro, sala de exposições e um lindo terraço. Agora só nos resta saber se os projetos vão sair do papel, ou se quando o assunto é cinema, eles só vão ficar na ficção. É torcer e esperar.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Repercussão na web
'Cine Fantasma' relembra e defende cinemas de rua
Ana Luiza Albuquerque | Cinema | 26/03/2013 19h08
Projeções buscando relembrar que existiam cinemas de rua em determinados locais, em outros tempos. Esta é a ideia do "Cine Fantasma", "uma série de videointervenções urbanas que ocupa espaços públicos ao ar livre, e acontece em locais que já abrigaram, um dia, salas de cinema", de acordo com o site oficial. As intervenções, que contaram com o patrocinio do Edital Coletividea, foram realizadas no Rio de Janeiro, nos dias 20 de fevereiro e 13 de março na Cinelândia, e nos dias 6 e 21 de março em Copacabana, como parte da programação da Mostra do Filme Livre.
O SRZD entrou em contato com a idealizadora do projeto para entender melhor os objetivos da intervenção. O "Cine Fantasma" é parte da pesquisa acadêmica "Cartografias espaço-temporais: Cinema Vivo", que a artista Paola Barreto está realizando no Doutorado em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O objetivo do projeto é chamar a atenção para o desaparecimento das salas de bairro, e para o fenômeno cada vez mais comum e disseminado de as opções de lazer serem oferecidas em espaços fechados, como shoppings, por exemplo, em função da cultura da insegurança que domina as cidades hoje em dia", ela afirma.
A organizadora destaca, também, que "os cinemas de rua são importantes como traço característico de um espaço específico, e contribuem para a formação da identidade de um lugar, de uma comunidade, assim como o comércio de bairro, a vendinha, a quitanda e tantos outros lugares que parecem estar desaparecendo diante de um movimento global de uniformização das cidades". Segundo ela, as lojas de departamentos, os shoppings centers e outras redes de comércio não estão necessariamente ligados à comunidade, mas à expansão de interesses econômicos que muitas vezes atropelam memória, afetividade e patrimônio histórico. No caso dos cinemas, haveria uma dimensão a mais, pois eles se configurariam, também, como espaços de sonho e de construção do inconsciente coletivo.
"Não esperávamos que o projeto atingisse a repercussão que teve em tão pouco tempo", afirma Paola. A artista pretende realizar novas intervenções em Fortaleza e em São Paulo no mês de abril, e no segundo semestre no bairro carioca da Tijuca. "Enquanto existirem salas sendo extintas e pessoas lembrando, a célula fantasma mantém-se viva", conclui a responsável pelo "Cine Fantasma".
segunda-feira, 25 de março de 2013
Caderno D - Jornal O Dia - 25/03/2013
Cine Fantasma projeta imagens nas fachadas de antigas salas da cidade
Intervenção urbana do Cine Fantasma, com projeções na fachada | Foto: Divulgação
Mas Paola e sua turma não estão sozinhos quando se trata do desejo de resgatar esses locais. Marcia Mansur, da RioFilme, também levanta essa bandeira. Ela é gerente de planejamento do projeto CineCarioca, que visa se apropriar de várias casas cinematográficas fechadas pela Zona Norte, como em Ramos, Madureira, Rocha Miranda, Engenho Novo, Méier, Cachambi e Vaz Lobo. Além da tentativa de ‘ressurreição’, o projeto pretende levar novas salas a lugares carentes da sétima arte.
“Estamos em uma etapa de estudos e procurando operadores que tenham interesse em investir nesses locais. Queremos trabalhar a memória afetiva desses lugares. É uma política de fomento do patrimônio da cidade, mas ainda precisamos de uma finalização de recursos financeiros”, explica Marcia. O projeto CineCarioca é realizado em parceria com a Subsecretaria de Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.
domingo, 24 de março de 2013
Respondendo às perguntas da Reporter do Jornal O DIA
Abaixo a íntegra da entrevista, concedida por mail, para o Jornal o Dia.
Mais algumas perguntinhas:
Quem foi o idealizador e como surgiu o projeto?
Cine Fantasma é parte da pesquisa acadêmica "Cartografias espaço-temporais: Cinema Vivo" que estou realizando no Doutorado em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Num primeiro momento o projeto surge ligado às memórias da minha infância e adolescência, e também à minha formação como cinéfila e cineasta. Ao perceber a forma como o Cine Fantasma afeta uma multitude de gentes, de classes sociais, gerações e origens distintas, pude entender que não era um projeto individual, mas coletivo, que toca em questões de memória, história, patrimônio material e imaterial, distribuição cinematográfica, ocupação do espaço público, arquitetura dos bairros, resistência cultural, entre outras tantas dimensões.
Como podemos saber onde e quando será o próximo evento?
O próximo evento será em Fortaleza dia 05/04.
Quando começou?
Escrevi o projeto em uma residência artística na NUVEM, em Visconde de Mauá, no verão de 2012. Em dezembro de 2012 ele começou a ser realizado, através de uma parceria com a Mostra do Filme Livre e a WSET Produções. Em janeiro de 2103 ganhamos um edital para intervenções urbanas, o Coletividea, e o trabalho ganhou corpo.
Quantas pessoas são necessárias para realizar as projeções? Como é feita a logística?
Para o formato do cortejo em movimento: um motorista no carro, um operador para o projetor, um editor no computador com software de VJ, um camera registrando o cortejo, um reporter com microfone, um mapeamento de fachadas de cinema que não estão mais em atividade, pessoas na rua, gerador de energia.
O que exatamente vocês procuram mostrar nos vídeos? De quem partem as ideias do que passa na projeção?
Nos videos procuramos criar, através de técnicas de remix, imagens que "reavivem" a memória coletiva associada a um dado espaço. Lançamos enquetes no FB: que filmes você viu aqui? Que histórias viveu nesse cinema? Procuramos fotografias - fachada e interior - cartazes e titulos de filmes exibidos ali, fazemos animações que recriem luzes em neon de letreiros que um dia iluminaram aquela fachada.
O que vocês perguntam ao abordar as pessoas? Como elas costumam responder? Alguma chamou a atenção?
É tocante perceber como o imaginário da cidade passa pelas salas de cinema no século XX; como o hábito de frequentar cinemas de bairro formou boa parte da identidade urbana de alguns locais. Compartilhar memórias, compartilhar imaginários, compartilhar estar na rua, mergulhar na construção de um inconsciente coletivo atravessado pelo cinema é o que orienta nossas abordagens. Doméstica que nunca foi ao cinema, dono de sorveteria cinéfilo, administrador de empresa recém-chegado ao Rio e que já descobriu o cine Roxy... são muitos que com suas lembranças e sonhos, deixam suas impressões no Cine Fantasma.
Quantas pessoas estão diretamente envolvidas com o projeto?
O edital Coletividea permitiu que contratássemos uma equipe para realizar as ações no Rio. Montamos uma equipe com 10 pessoas. Em Fortaleza seremos também 10 pessoas, com o apoio da Universidade Federal do Ceará. Mas tem uma parte que é muito dificil de medir que é a da participacao on line. Temos 2 mil seguidores na página facebook.com/cinefantasma, alguns contribuem muito e tornaram-se parceiros importantissimos.
E indiretamente? Alguma ideia? (entre seguidores nas redes sociais, parceiros, etc)
Acho que já respondi ... Sem falar nos fantasmas, espíritos e almas de toda sorte que nos assombram, inspiram, iluminam...
Você sabe de alguém que tenha tomado a mesma iniciativa após entrar em contato com vocês?
Eu costumo dizer, quando me falam "Poxa, mas vocês não vão assombrar tal cinema?" Eu respondo : "Quer fazer? Vai lá!" Qualquer um pode fazer, escrevi isso no nosso blog cinefantasma.net. O cinema acabou? Não existe mais, foi demolido, virou loja de departamentos, estacionamento, igreja? Alguém lembra como era? Tem fotografia? Tem video? Tem memória? Tem história? Tem projetor? Liga tudo na energia e projeta! O Cine Excelsior de Juiz de Fora, que está sendo barbaramente transformado em um estacionamento, inspirou um video relâmpago que fiz uma noite, misturando imagens de filmes exibidos ali e fotos da demolição. Sugeri que fizessem projeções fantasmagóricas, não sei se eles têm planos para isso. Em Niterói também, com várias salas desativadas e a publicação recente do livro do Rafael de Luna, tem contexto para um movimento de assombração aparecer.
Para você, o que as pessoas mais perdem com a diminuição dos cinemas de rua?
A possibilidade de um lazer que não é associado a shopping, carro, estacionamento.
O que as pessoas buscam quando vão ao cinema atualmente?
Boa pergunta! É o que realizadores e produtores não se cansam de se indagar.
Você acha que a visão do que é cinema e o que esperar de um filme mudou com o avanço da tecnologia?
Com toda certeza. Mas é importante lembrar que o que seja o cinema é uma pergunta que atravessa toda a sua história, não é um privilégio de nossos tempos digitais. Desde sua invenção no final do séxulo XIX o cinema surge como um meio em disputa, entre mágicos, charlatães, homens de ciências e artes. Há um modelo de cinema hegemônico, que se estabelece com a linguagem clássica que vai determinar boa parte da produção industrial de filmes ao longo do século XX. Mas há muitas outras formas de cinema, fantasmagorias, instalações, projeções e experimentos que se desenvolveram na paralela, e que hoje, com a facilidade de acesso e o barateamento da tecnologia estão explodindo por aí. O Cine Fantasma é um deles. Um pós cinema, ou, já que estamos falando de fantasmas, um cinema do além.
Se as pessoas tivessem mais acesso a filmes clássicos, debates, livros e referências elas se interessariam mais? Continuariam consumindo o mesmo tipo de conteúdo, na sua opinião?
Não acho que tenhamos exatamente um problema de acesso hoje, se considerarmos a disponibilidade de milhares de títulos na internet . Gosto de pensar que perdemos assentos, nas salas, mas ganhamos acessos, nas redes. Acho que sim, promover debate, reflexão e obras de referência é muito importante, e situo meu trabalho, como artista, pesquisadora e professora justamente aí.
Você indicaria mais alguém com quem possamos conversar? Talvez alguém que tenha iniciado a mesma ou outra atitude a ver a iniciativa de vocês.
Sim, procurem o pessoal do Cine Excelsior de Juiz de Fora e a galera do Cine Já de Niterói.
Mais uma vez, obrigada pela ajuda
Eu é que agradeço.
Mais algumas perguntinhas:
Essas intervenções começarão agora com a Mostra do Filme Livre?
Sim.
Se não, quantas projeções foram feitas até hoje?
Já foram feitos 3 cortejos de assombração, duas vezes em Copacabana, cobrindo 8 extintos cinemas e 1 vez na Cinelândia, percorrendo 11.
Quantas ainda pretendem fazer durante este mês?
Mais uma noite na Cinelândia.
Que horas normalmente acontecem as projeções?
Entre 21h e meia noite.
Por que vocês guardam segredo a respeito de onde serão as intervenções?
Fantasmas não avisam onde vão aparecer, fantasmas assombram simplesmente. E nossa intenção é movimentar o entorno de um espaço que perdeu cinema, conversar com as pessoas que transitam por ali, moram, frequentam, passam. Se fizermos uma auê muito grande e levarmos um "público" nosso estaremos traindo essa motivacão inicial. Não é um produto para espectadores, mas a produção de uma experiência em um lugar.
sábado, 23 de março de 2013
Casarão Assombrado...
Mês passado o Coletivo Fantasma foi contactado por Gabriel Menotti, Pesquisador e Professor da UFES, com a proposta de realizar uma versão instalativa do Cine Fantasma no Casarão Cerqueira Lima, em Vitória/ES. Foi um grande prazer e ao mesmo tempo um desafio elaborar um projeto capaz de adaptar para um interior as ideias que alimentam e atravessam esta série de intervenções urbanas. A proposta, batizada por Menotti de "Casarão Assombrado" foi inscrita por ele e pela produtora Clara Sampaio em um Edital capixaba, mas não ficou entre as vencedoras. Muá! Mas, como se diz: perdemos um edital, mas não perdemos a guerra! "Casarão Assombrado" segue numa espécie de limbo, ou entre-lugar, onde estariam os seres que não estão nem vivos, nem mortos, mas esperam a hora de encarnar - ou re-encarnar? Quem sabe a publicação, por aqui, atraia novas possibilidades para sua realização? Buuu!
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